broca-da-cana
Gestão Agrícola Produção Rural

Quais são as principais pragas da cana-de-açúcar?

Estima-se que 30% da produção seja perdida devido às pragas da cana-de-açúcar, mesmo com os avanços de novas tecnologias de cultivo e controle.

Nesse sentido, por ser a cultura com mais importância no Brasil quando o assunto é produção de açúcar e biocombustível, o prejuízo para o setor e para economia como um todo é gigantesco.

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Os danos causados por elas atingem diversas fases de desenvolvimento da cultura e impacta negativamente a sua saúde, causando diminuição do peso e, além disso, a queda na produção de sacarose.

No artigo de hoje, abordaremos as principais pragas de importância econômica para a cultura da cana, principalmente na região centro-oeste.

Além disso, indicaremos as formas mais eficientes de controle para você produtor inserir na sua rotina de Gestão Agrícola e evitar prejuízos.

Cigarrinha-da-cana

Nos últimos anos, nos deparamos com a mudança de lei que impulsionou o desenvolvimento da colheita mecanizada da cana-de-açúcar no Brasil, por meio da proibição da queimada nos canaviais.

Com a utilização de colheita mecanizada, passamos a ter maior deposição de palha no solo, criando ambientes elevados níveis de umidade.

Associada às altas temperaturas do clima da nossa região, tal condição viabiliza o desenvolvimento da Mahanarva fimbriolata, comumente conhecida como “cigarrinha”, uma das pragas da cana-de-açúcar.

A cigarrinha enfraquece o cultivo através da fixação das ninfas do inseto nas raízes da planta, onde sugam a seiva.

Uma forma de identificar se determinada área está sob ataque da cigarrinha é tentando encontrar algo como uma espuma branca (parecida com espuma de sabão) na parte basal da touceira.

A razão é que a espuma é produzida pelo inseto para impedir o contato com produtos químicos, protegendo a espécie de ataques de inimigos naturais, ao mesmo tempo em que mantém a umidade do seu corpo.

Controle

A variedade e a época de corte são parâmetros importantes no manejo integrado da cigarrinha, uma das pragas da cana-de-açúcar.

O ataque do inseto afeta a qualidade energética da cana e esse efeito é diferente de acordo com sua variedade.

Uma das técnicas de controle da praga começa com o seu monitoramento, que deverá começar com o início das chuvas e seguir por todo o período de infestação. Com isso, é possível avaliar a evolução da praga e controlá-la.

Esse monitoramento é vital para decidir a melhor estratégia de controle da cigarrinha, sendo que a detecção da primeira geração permite um combate mais eficiente, por exemplo através do entomopatogênico Metarhizium anisopliae, fungo que atuará como controle biológico.

O nível de dano econômico é de 20 ninfas/metro linear e 1 adulto/cana. Já o nível de controle é de 2-4 ninfas/metro e 0,5 adulto/cana.

Bicudo da cana

O bicudo da cana é encontrado nas principais regiões produtoras de cana, como São Paulo, Minas Gerais e Paraná.

De nome científico Sphenophorus levis, estes besouros quando adultos são de coloração escura, medindo de 10 a 15 mm de comprimento.

Suas larvas são as responsáveis pelos danos, pois ao se alimentarem escavam galerias e danificam os tecidos no interior dos rizomas.

Com isso, ele causa a morte das plantas, falhas nas brotações das soqueiras e redução da vida útil dos canaviais.

Além disso, os sintomas dessa praga da cana-de-açúcar são mais aparentes na época seca do ano, de junho a agosto.

Controle

Primeiramente, as soqueiras infestadas devem ser destruídas. Posteriormente, a aração e a gradagem no solo são recomendadas para expor as larvas ao sol e aos predadores.

O controle químico deve ser realizado através de defensivos específicos e registrados devidamente.

Já o controle biológico é realizado com o uso de doses corretas de fungos parasitas, que são inimigos naturais desses insetos. Além disso, também já estão sendo testadas, junto a outros métodos de controle, as armadilhas atrativas para a praga. 

Broca-da-cana

Uma das grandes pragas da cana, a Diatraea saccharalis, ou “broca-da-cana” tem incidência durante todo o desenvolvimento da planta, sendo um pouco menor antes da formação dos entrenós.

Com preferência por períodos chuvosos e temperaturas altas, a broca pode atingir os canaviais no decorrer do ano todo, não podendo ser ignorada nunca pelo produtor.

As lagartas abrem pequenos orifícios nas gemas, como galerias, que posteriormente são fechados com fios de seda e serragem, para o desenvolvimento da pupa.

O animal adulto é uma mariposa de coloração marrom-amarelada ou amarelo palha. A envergadura dos machos pode chegar a 28mm e das fêmeas varia de 27 a 39mm.

Assim, sua saída resulta em um orifício no colmo, que pode comprometer a estrutura do mesmo e quebrá-lo ao meio.

Além de perda da quantidade de gemas e das quebras dos colmos, o ataque das brocas abre portas para doenças que diminuem o rendimento na produção do açúcar.

Controle

O controle cultural pode ser adotado com o uso de variedades resistentes, por exemplo a Cana Bt. O corte da cana o mais rente possível do solo é indicado, como também evitar o plantio de plantas hospedeiras na região.

No entanto, para as áreas de clima quente, o controle químico não apresenta efeitos significativos.

Dessa forma, o controle biológico se faz mais eficaz e é feito através de inimigos naturais que, criados em laboratórios, são liberados no campo, como por exemplo a Cotesia flavipes, Trichogramma galloi e Metarhizium anisopliae.

Cupins

Uma das pragas da cana-de-açúcar, os cupins geralmente atacam os toletes das plantas e danificam as gemas, o que prejudica a sua germinação.

O ataque provoca falhas na lavoura e exige o replantio. Os prejuízos podem atingir dez toneladas de cana por hectare anualmente, sendo mais frequente em terrenos arenosos e pouco férteis.

Eles são divididos em basicamente dois tipos, os Cupins de montículo e Cupins subterrâneos.

Os primeiros formam montículos e geram transtornos, pois dificultam a mecanização e os tratos culturais da lavoura.

Já os subterrâneos, alimentam-se de material lenhoso em muitas fases de decomposição, atingindo partes vitais como os toletes da recém-plantada, o sistema radicular e os entrenós basais da cana em formação na planta adulta ou na soqueira.

Controle

São várias as técnicas para o combate aos cupins, por exemplo a correção e fertilização do solo.

É sabido que as áreas degradadas são um convite a toda espécie nociva de pragas da cana e insetos, em especial os cupins.

Dessa forma, o uso de tratores para aração, gradagem e arrancamento do monte ou sua quebra são recomendados.

Mas atenção: antes de arar, gradear ou arrancar os montículos, é preciso matar os insetos, para que eles não se dissipem e criem novas colônias, proliferando ainda mais a praga.

O controle mecânico é um processo caro e terá resultado somente quando as colônias estiverem mortas.

Enquanto isso, o controle biológico pode ser feito através de fungos – como Beauveria bassiana e Metarhizium anisopliae – e bactérias – como Bacillus thuringiensis.

No entanto, esta última opção é considerada um método pouco eficaz devido à baixa sobrevivência da bactéria no solo.

Formigas

Saúvas

As saúvas, também conhecidas como formigas cortadeiras, são muito encontradas por todo o país.

Seus ninhos podem atingir profundidades superiores a cinco metros e grandes dimensões no solo.

As cortadeiras atacam plantas em qualquer fase de desenvolvimento e são de difícil controle. Além do habito noturno, são muito resistentes e possuem grande potencial de infestação no canavial.

Quenquéns

Já os quenquéns são formigas cortadeiras cujos formigueiros são geralmente pequenos e com poucos compartimentos.

Essas pragas da cana-de-açúcar possuem grande semelhança com as saúvas, se diferenciando apenas pelo número de espinhos no torço e pelo tamanho dos ninhos.

Controle

Para o controle das formigas, pode-se fazer arações profundas nas panelas e eliminar gramíneas nativas, pois esses insetos as usam para a criação do fungo que sustenta a colônia.

Além disso, o controle químico deve ser dirigido, visando a eliminação da rainha. Nele podem ser usados formicidas liquefeitos, iscas granuladas, em pó ou através de termonebulização.

No caso da isca granulada, uma vantagem é que o método dispensa o uso de aplicadores, já que as próprias formigas as carregam para o ninho.

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Preparado para proteger o seu canavial?

A cultura da cana tem vital importância econômica para o Brasil, sendo produzida em várias regiões do país.

Como vimos no artigo, por ser uma planta que fica por muito tempo em campo, ela pode ser atacada praticamente em todas as épocas do ano e por diversas pragas da cana-de-açúcar.

Tendo isso em mente, a escolha do melhor tipo de controle para a sua condição é de vital importância para garantir a proteção e evitar a incidência de qualquer tipo desse tipo de perigo.

Finalmente, é essencial registrar todas as atividades relativas ao método de controle escolhido para garantir a sua eficácia no Manejo Integrado de Pragas (MIP), o que pode ser feito facilmente com a ajuda de um Software de Gestão Agrícola.

Como você combate esse tipo de praga aí na sua fazenda? Comente aqui embaixo e compartilhe o artigo com a sua rede de amigos!

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