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Mercado Agrícola

Análise do Mercado da Cana em Julho: Entenda o Por que da Queda!

Na Análise do Mercado da Cana em Julho, primeiramente podemos observar uma redução de ATR. Dessa forma, caso isso persista, será um fator preocupante para o final da safra. 

O ATR da cana, ou “Açúcar Total Recuperável”, é a métrica que representa a qualidade da cana-de-açúcar no mercado.

Resumindo, é a sua capacidade de ser convertida em açúcar ou álcool.

Até o dia 15 de julho já havíamos moído 258,23 m.t., um valor 4% menor em relação ao mesmo período do ano passado. 

Enquanto isso, temos uma média de (CTC) 84,87 toneladas/há, na safra passada este valor era de 82,11 toneladas/ha.

Entretanto, a quantidade de açúcar na cana está 4% menor este ano – o ATR por tonelada foi de 131,71 Kg em 2018/19 para 126,31 Kg. 

Seguimos agora aguardando as próximas análises da ÚNICA para entendermos também o efeito da geada sobre o canavial. 

O pagamento da indenização com o tabelamento de preços do açúcar, realizado nos anos 80 pelo Instituto do Açúcar e do Álcool (IAA) vem em boa hora. 

A Copersucar já o recebeu e outras o aguardam. Estes valores estão sendo utilizados para o levantamento de recursos.

Confira a seguir mais dados e previsões da Análise do Mercado da Cana em Julho.

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Mercado Empresarial

BP e Bunge

Em Junho tivemos o anúncio da joint-venture entre BP e Bunge, resultando na BP-Bunge Biocombustíveis. 

Assim, cada uma terá 50%, porém teremos 3 usinas na BP (10 milhões de toneladas) e oito na Bunge. 

O acordo traz um pagamento de US$ 75 milhões da BP à Bunge.

A capacidade total ultrapassa os 30 milhões de toneladas e faz com que este seja o quarto maior grupo no mercado – ficando portanto abaixo da Biosev (33 milhões), Atvos (37 milhões) e Raízen (73 milhões). 

A iniciativa é interessante quando pensamos na otimização do uso dos ativos e redução das overheads.

No entanto, haverá uma diminuição no volume de empregos pela sobreposição de funções.

Usinas de Açúcar

Nas Usinas do Centro Sul, o mix teve a produção derrubada em 11% em relação ao ano anterior – que já estava em queda. 

Até o dia 15 de julho, a produção havia sido de 10,86 milhões de toneladas. Este valor é de quase 1,4 milhão a menos. 

A Datagro traz uma projeção mundial para 2019/20 com um déficit de 66,42 milhões de toneladas.

Graças aos estoques e à Índia, estes valores não se refletem no preço.

Visão Mundial

Agora, Brasil, Austrália e Guatemala pediram na Organização Mundial do Comércio (OMC) um painel contra os subsídios da Índia no açúcar. 

O levantamento do Itamaraty para a safra 2018/19 mostrou que a produção adicional indiana deprimiu os preços em 25,5%. Portanto, causando uma perda de US% 1,3 bilhão nas exportações do Brasil. 

A estimativa é que o preço mínimo da cana na Índia estipulado pelo governo tenha dobrado em um período de 07 anos, causando uma inundação no mercado mundial. 

Em contrapartida, a Associação de Usinas de Açúcar da Índia (ISMA) busca apoio para exportar mais de 7 milhões de toneladas na próxima safra, o que geraria um grande impacto negativo no mercado mundial. 

A Associação visa a produção de 28,2 milhões de toneladas, além do início da safra com 14,7 milhões de toneladas estocadas. 

Com um consumo anual de 26 milhões de toneladas, o que a Índia deveria fazer seria fortalecer seu mercado de etanol. 

Este caminho manteria a renda dos produtores e, além disso, auxiliaria com a retirada do açúcar no mercado mundial.

O Mercado Interno

Segundo o CEPEA, temos os preços quase 20% acima dos valores do mesmo período do ano passado. 

Analisando a parte do etanol, temos boas notícias com a subida do petróleo em 3%.

Além disso, com o mix em 62% em São Paulo, o consumo do hidratado cresce batendo recordes e os preços se mantêm mesmo com o pico da safra. 

Na primeira quinzena de julho, as usinas do Centro Sul puderam vender 1,38 bilhões de litros – sendo 914 milhões de hidratado.

Exportações e Importações

Para a Agência de Proteção Ambiental dos EUA (EPA), os Estados Unidos importarão cerca de 60 milhões de galões de etanol brasileiros em 2020. 

Este valor é 40% menor que sua estimativa anterior, que era de 100 milhões de galões.

Ao mesmo tempo, teremos um espaço na cota de celulósicos, com o etanol feito a partir do bagaço da cana. 

O espaço do etanol de milho e outros convencionais se manteve em 15 bilhões de galões. 

Ao final de agosto, temos o fim da cota de 600 milhões de litros aberta pelo Brasil para a importação de etanol anidro dos EUA – estes sem a tarifa externa comum de 20% existente no Mercosul. 

O etanol americano entrou com força em nosso mercado. Entre janeiro e maio deste ano, foram importados 800 milhões de litros.

Consumo: Análise do Professor Adriano Pires

Para somar nesta edição da Análise do Mercado da Cana, trouxemos a visão do Professor Adriano Pires.

Em sua análise de longo prazo, o Professor mostrou que em 2018 o Brasil teve um consumo de praticamente 80 milhões de m³ de diesel e gasolina (aqui o biodiesel e o etanol não são computados).

Destes, quase 20% eram importados. Dessa forma, com a retomada econômica do país e a dificuldade na ampliação da oferta interna, será necessário aumentar o volume das exportações. 

Este cenário pede pelos investimentos em capacidades industriais e de movimentação.

Valores

Nesta safra, a média do valor recebido pelo etanol deve ser quase 10% maior que o da safra passada. Além disso, demonstra um aumento de volume de vendas de mais de 20%. 

Estes aspectos auxiliam o momento da crise do açúcar. Ao fim desta análise pela SCA, o etanol hidratado com impostos tinha valor de R$ 2,12/L e o anidro de R$ 2,02/L enquanto o açúcar negociado no contrato de outubro a 12,12 cents/libra peso.

Conclusão

A Análise do Mercado da Cana em Julho trouxe um cenário não tão otimista para o produtor dessa cultura.

Em agosto devemos torcer pelos preços do petróleo permanecerem em um patamar de viabilização da explosão de vendas de hidratado com margem para usinas (com queda de quase 5% neste mês). 

Apenas assim poderemos ter esperança para salvar o valor do ATR, porque a qualidade da cana até o momento representa frustrações nas produções esperadas de açúcar e etanol. 

Marcos Fava Neves – Sócio eAgro e Professor USP/FGV

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