projecoes-agronegocio-para-10-anos
Mercado Agrícola

O agro conquistará mais de 1,2 trilhão de dólares

Primeiramente, traz muita alegria e esperança analisar o mais recente estudo de projeções para os próximos 10 anos do USDA (Departamento de Agricultura dos Estados Unidos), feito para alguns produtos do agronegócio mundial.

É um relatório de frequência anual, que projeta a agricultura para os próximos 10 anos.

Dessa forma, sua leitura apresenta alguns números interessantes que projetei com base em quantidades, participações de mercado e valores.

Portanto podemos perceber nos parágrafos a seguir quanto deve crescer cada produto em termos de mercado até 2027/28.

Isso sempre com os valores de hoje (US$), a participação do Brasil e o valor adicional a ser conquistado em exportações.

Deixe seu e-mail aqui para receber conteúdos e ofertas exclusivas!


Análise

Na soja em grãos em 2027/28 o mercado (as importações mundiais) crescerá 56,4 milhões de toneladas (de 147,7 para 204,1 milhões). Assumindo-se um valor de USD 400/tonelada, significa US$ 22,55 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando 33,3 milhões de toneladas, ou seja, US$ 13,3 bilhões a mais que o exportado em 2017.

No farelo de soja em 2027/28 o mercado crescerá 17,9 milhões de toneladas (de 63,1 para 82,9 milhões). Assumindo-se um valor de USD 290/tonelada, significa US$ 5,2 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando 6,5 milhões de toneladas, portanto US$ 1,9 bilhão a mais que o exportado em 2017.

No óleo de soja em 2027/28 o mercado crescerá 4 milhões de toneladas (de 11,4 para 15,4 milhões). Assumindo-se um valor de USD 820/tonelada, resulta US$ 3,28 bilhões a mais.

Nossa exportação crescerá 1,5 milhão de toneladas, ou seja, US$ 1,2 bilhão a mais que o exportado em 2017.

No milho em 2027/28 o mercado crescerá 25,2 milhões de toneladas (de 163,6 para 188,8 milhões). Assumindo-se um valor de USD 155/tonelada, resulta US$ 3,9 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando 8,8 milhões de toneladas, ou seja, US$ 1,36 bilhão a mais que o exportado em 2017.

No algodão em pluma em 2027/28 o mercado crescerá 4,1 milhões de toneladas (de 7,4 para 11,5 milhões), e assumindo-se um valor de USD 1.540/tonelada, significa US$ 6,22 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando em pouco mais de 1 milhão de toneladas, US$ 1,57 bilhão a mais que o exportado em 2017.

Na carne bovina em 2027/28 o mercado crescerá 2,1 milhões de toneladas (de 7,3 para 9,4 milhões), e assumindo-se um valor de USD 4.050/tonelada, significa US$ 8,42 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando 1,1 milhão de toneladas, US$ 4,4 bilhões a mais que o exportado em 2017.

Na carne de frango em 2027/28 o mercado crescerá 3,6 milhões de toneladas (de 10,3 para 13,9 milhões), e assumindo-se um valor de USD 1.750/tonelada, significa US$ 6,3 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando 3,6 milhões de toneladas, sendo US$ 3,75 bilhões a mais que o exportado em 2017.

Na carne suína em 2027/28: mercado crescerá 1,3 milhão de toneladas (de 7,6 para 8,9 milhões). Portanto, assumindo-se um valor de USD 2250/tonelada, significa US$ 13,32 bilhões a mais.

O Brasil terá exportações aumentando 0,2 milhão de toneladas, apenas US$ 430 milhões a mais que o exportado em 2017.

Estes foram os produtos analisados pelo USDA em que o Brasil é relevante no mercado internacional.

A soja é o carro chefe do crescimento das importações. Além disso, é também arrojado na participação brasileira em carne de frango e um pouco conservador na carne suína, em minha modesta opinião.

Somente nestes produtos (complexo soja, milho, algodão e carnes), em 2027 o Brasil exportará US$ 28 bilhões a mais do que exportou em 2017.

Aliás, como este é o numero de 2027, se somarmos o valor adicional exportado ano a ano temos que estes trarão US$ 155 bilhões a mais nos próximos 10 anos. Isso sem contar o que já trazem anualmente.

Conclusão

O agronegócio exportou US$ 96 bilhões em 2017. Portanto, se este desempenho continuar nos próximos 10 anos, acrescido deste estimado pelo USDA, trará US$ 1,1 trilhão em 10 anos, ou R$ 3,3 trilhões.

Isto sem contar o provável crescimento em papel e celulose e outros produtos florestais, café, frutas, flores, açúcar, etanol, arroz e, além disso, de outras commodities.

Dessa forma, se estas agregarem mais US$ 100 bilhões acumulados, consequentemente levam o número dos próximos dez anos a US$ 1,2 trilhão.

Um volume e valor impressionante para a sociedade brasileira buscar no mercado mundial, porque assim contribuirá para seu desenvolvimento e geração de oportunidades.

Quanto mais reformas estruturantes visando competitividade tivermos, tanto na agenda pública quanto na agenda privada, mais margens serão construídas e, portanto, estímulos para buscar este trilhão ou até superar o número aqui colocado.

Marcos Fava Neves é Professor Titular da FEA-RP USP e especialista em planejamento estratégico do agronegócio.

Gostou? Para ler mais análises do mercado agro, clique aqui. E comente aqui embaixo se você está otimista para os próximos meses!

Deixe seu e-mail aqui para receber conteúdos e ofertas exclusivas!

Você também pode gostar...